quinta-feira, 10 de junho de 2010

Desperdício...

Definitivo, como tudo que é simples...

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram...

Sofremos por quê? Por que automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções não irrealizadas...

[...]

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar...

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender...

[...]

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar...

[...]

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento perdemos também a felicidade...

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

(Carlos Drumond de Andrade)



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